domingo, 3 de agosto de 2014

Laura, the end

Laura chegou a casa e mandou a bolsa para o sofá. Sentou-se e fixou o olhar na televisão apagada.
Sentia-se ferida. Mais uma vez encerrara um capitulo na sua vida.
 Tinham dormido num motel. A ultima vez que ficariam juntos. Laura nunca tinha entrado em nenhum.
Ele parecia deliciado e a viver uma fantasia , ela a sentir -se horrorizada e tratada como prostituta.
No inicio a ideia pareceu lhe excitante. Mas quando entrou apercebeu-se da frieza do lugar.
E da pressa que ele tinha em sexualizar a questão.
Sentiu -se intimidada. Não só pelo sitio mas pela falta de tacto dele, face ao seu desconforto.
Ela lembrou-o da promessa e ele fez um ar serio, e disse que a amava.
 O ar de esforço ainda lhe doeu mais...mas a culpa era dela...que tal lhe implorara na carta do dia anterior.
Laura acusou-o  depois, de não ser romantico. E isso deu origem a uma conversa intimista... em que ele lhe confidenciou que tinha perdido duas mulheres que amara muito. Dois tesouros.E que jamais encontraria outros.
E ela... ela morreu um pouco mais.
Perdera a conta da quantidade de vezes que ele a matara por dentro.
Chegara a hora de deixa-lo voar.
Perdida nos seus pensamentos perguntava-se quanto da sua dor era desilusão, quanto era amor, ou orgulho ferido.
Pegou no seu Diário, onde escrevia religiosamente sempre que precisava de falar com alguém. 
Laura não tinha muitas amigas.Não confidenciava sentimentos com as pessoas com as quais se relacionava. 
Não se sentia acanhada, mas como observadora algo arrogante, pensava que todos se contentavam com um par aleatório. Sujeitando-se a tudo. Desvalorizando os pormenores mais importantes.
Laura não compreendia que uma mulher encolhesse os ombros face a maus tratos e continuasse a relação baseada num " os opostos atraem-se". Quem disse isso falava de polos, negativos e positivos, podia falar no homem e na mulher, mas, se bem que todas as discussões e divergências num casal possam apimentar o curso de uma relação, o que os une tem que ser sempre mais que o que os separa...
E era aí, que lhe doía mais perde-lo.
Embora ele fizesse um esforço por tirá-la do sério, por ser infantil, irritante, por vezes ligeiramente paranoico. 
Lhe mostrasse apenas o lado de amigo, interessante, com os mesmos gostos, as mesmas paixões, podiam passar horas a falar do livro favorito que nem se apercebiam do tempo passar. Ele era o seu Quote`s Book. Tinha sempre um conselho sábio para cada situação da vida dela. E ajudava-a imenso. Pequenos cliques. E depois, a quimica... e a vontade que ela tinha de o proteger. E que ele a protegesse.
Mas Laura precisava de um Heroi. Então, decidiu tornar-se no que precisava. E não procurar mais Herois fantasiosos. Colocar-se nas mãos de quem a pudesse ferir de novo.
Ainda assim, o dia nascia, e ela não conseguiu escrever uma palavra.
A angustia sufocava-a.
O Fim de mais um ciclo . Tão curto. 
E ele?
Continuaria a engatar miudas giras.
E ela seria feliz. Depois de sararem as feridas.





2 comentários:

  1. Depois de fazermos as coisas é que sentimos as consequências a pesarem na cabeça.. Muito bom!!!

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